“Uma das grandes propostas da Cúpula dos Povos é rearticular os movimentos internacionais de luta por justiça ambiental e social. Por isso, é importante que todos participem.”
Llanisca Lugo.
Em março, representantes de organizações internacionais reuniram-se para discutir a metodologia da Cúpula dos Povos junto ao grupo de articulação do evento, que hoje é composto por cerca de 50 redes de diversos países. Aproveitamos a ocasião para conversar com Hector de La Cueva, da Coalisão Mexicana do G20, com Martín Drago, da ONG Amigos da Terra Internacional, e com Llanisca Lugo, da Convergência de Movimentos de Povos das Américas (Compa).
Em vídeo, eles falam sobre os objetivos da conferência paralela à Rio+20. Além de citar os três eixos de orientação das atividades da Cúpula ( denunciar as causas da crise socioambiental, apresentar soluções práticas e fortalecer movimentos sociais do Brasil e do mundo), também fazem um convite para toda a sociedade civil.
“Uma das grandes propostas da Cúpula dos Povos é rearticular os movimentos internacionais de luta por justiça ambiental e social. Por isso, é importante que todos participem”, destaca Llanisca Lugo.
Confira a versão legendada:
Fonte: Cúpula dos Povos
Análise dos custos de produção do milho convencional e do transgênico elaborada pela Cooperativa Regional Agropecuária de Campos Novos (SC) mostra que o plantio do milho transgênico eleva o custo de produção e que a produtividade esperada é a mesma [1]. Os dados foram apresentados em evento realizado pela Embrapa Milho e Sorgo no início de março na cidade mineira de Sete Lagoas.
Na planilha de cálculo apresentada pela Copercampos o item “insumos” aparece agregado, ou seja, as despesas com sementes, adubos e agrotóxicos não estão descriminadas. Para o milho convencional gasta-se com insumos R$ 1.199,52 por hectare, contra R$1.392,76 para o transgênico. É possível que a diferença seja explicada pelo preço mais elevado da semente modificada. Neste caso, os dados também sugerem não haver redução no uso de agrotóxicos, ao contrário do propalado pela indústria. No cômputo geral, o produtor convecional gasta R$ 1.928,65 para plantar um hectare de milho, enquanto o produtor que adotou variedades transgênicas gasta R$ 2.156,13 para a mesma área.
Ainda de acordo com os números da Copercampos, em 2011 a diferença de rentabilidade foi de 93%, com o convencional apurando R$ 472/ha e o transgênico, R$ 244,00. Esses dados consideram a saca de milho de 60kg vendida a R$16,00. A produtividade considerada foi de 9 toneladas/ha.
Segundo dados da Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina), o rendimento médio do cereal em Santa Catarina em 2010/2011 foi de 6,66 t/ha. Para 2011/12 a previsão é de 6,76 t/ha. Assim, em 2011 o convencional teria prejuízo de R$ 152,65/ha e o transgênico prejuízo de R$380,13. Em 2012, mantendo-se o preço do grão em R$ 26, que está próximo do praticado hoje, e aplicando-se a produtividade prevista pela Epagri, o convencional obterá receita de R$ 1.001,00/ha e o transgênico, R$773,00. Quase 30% menos, o que significa gastar o equivalente a quase 5 toneladas de milho para colher 6,7t.
Também em Santa Catarina, na região do Planalto Norte, propriedades em início de transição agroecológica acompanhadas pela AS-PTA produziram em média 4,2t de milho/ha na safra 2008-09, com custo médio deR$ 200,00/ha. Esses produtores apuraram receita líquida de R$ 980,00/ha. Note-se que nesse ano foram registradas fortes perdas na região por adversidades climáticas.
Segundo o agrônomo da Copercampos, Marcos André Paggi, “ainda não dá pra enfatizar, na nossa região, grande aumento da produção de milho” por causa da opção pelos transgênicos [2].
Também presente no evento, o doutor Anderson Galvão, da consultoria Céleres, afirmou que “hoje, o produtor de milho paga mais satisfeito R$ 400,00 por saca de [semente de] milho transgênico do que pagava, antes, R$ 100,00 / R$ 120,00 por milho convencional” [2]. Será?
[1] www.cnpms.embrapa.br/milhotrans/painelII4.pdf
[2] http://www.cnpms.embrapa.br/noticias/mostranoticia.php?codigo=700
Boletim 579 - AS PTA
De onde vem a força do agronegócio?
Vídeo mostra de forma didática quem ganha e quem perde na estruturação e financiamento do agronegócio brasileiro. Baseado em análise de Regina Araujo, doutora em Geografia pela USP, e Paula Watson, também formada em geografia pela USP.
Ficha técnica - Roteiro: Paula Watson e Regina Araujo; Desenho e Animação: Paula Watson ; Montagem e Edição: Renata Watson ; Locução: Daniel Daibem.
ONG gaúcha ganha na justiça o direito de obter informações sobre construção de hidrelétrica
Enquanto o governo brasileiro insiste em alicerçar a matriz energética do país com construções de usinas hidrelétricas (UHE) sobre importantes áreas do patrimônio natural, como o polêmico caso de Belo Monte, no Xingu, ambientalistas gaúchos conseguem suspender, através de ação na justiça, o andamento do processo da UHE Pai- Querê.
“Não foi a primeira vez que o InGá precisou acionar o Poder Judiciário para obter o processo de licenciamento ambiental do Projeto UHE Pai Querê”, informa a entidade em página na iternet.
Segundo a AGAPAN, o projeto desta hidrelétrica, prevista pelo PAC para ser construída no rio Pelotas, na divisa do RS e SC, prevê a construção da usina em Áreas Prioritárias para a Conservação da Biodiversidade (MMA, 2007) e em Zona Núcleo da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica.
Conforme o Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais (InGá), ONG autora da ação cautelar movida contra o IBAMA, a construção dessa UHE poderia destruir 4 mil hectares de florestas com araucária, em vales escarpados, e 1,2 mil ha de campos rochosos, de altitude, destruindo também mais de 100 km de corredeiras, com dezenas de peixes endêmicos e restritos a estas condições.
Mais detalhes no portal do InGá.
Bem-vindo outono!
Quero apenas cinco coisas..
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser… sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando.
Pablo Neruda
Desabafo de um agricultor
“Encurralar: meter em curral, encantoar em local sem saída, sem opção de escolha, perda da liberdade… é assim que está o agricultor que não deseja aderir ao plantio de organismos geneticamente modificados, no meu caso a soja e o milho.”
Gostaria que me permitissem um desabafo.A agricultura, atividade milenar que fixou o homem tirando-o do nomadismo, criou a possibilidade da civilização se desenvolver, é a pedra angular na produção de alimentos para a humanidade. Hoje é uma atividade controlada.
A produção de alimentos é entendida, ou pelo menos deveria ser entendida pelos governantes de um país, como um ponto estratégico, segurança alimentar.
A nação que se auto sustenta na produção de alimentos tem uma vantagem óbvia em relação às que não forem capazes. Mas, pelo que tudo indica, nossos governantes (eu me refiro em especial aos parlamentares, congressistas que compõem a bancada ruralista) não estão dando importância para auto sustentabilidade e segurança alimentar da nação. Se eu pudesse gostaria de fazer algumas perguntas a esses parlamentares que me referi acima:
Por que depender de uma tecnologia criada por um concorrente que tem por principal objetivo o controle sobre as sementes e os agricultores e o controle sobre a produção de alimentos no mundo?
Por que deixar corporações estrangeiras ditarem as regras de um setor tão importante?
Será que com todos os cientistas e mentes brilhantes que temos aqui no Brasil não seria possível encontrar uma outra solução para os problemas enfrentados pela agricultura além dessa proposta dos organismos geneticamente modificados?
Do agricultor foram tirados todos os direitos básicos elementares de optar por um ou por outro sistema de produção, de poder guardar as suas sementes, a liberdade de escolha.
Além do agricultor ter que arcar com o risco das intempéries, das mudanças climáticas e de toda má sorte que pode ocorrer desde o plantio até a colheita, ele é jogado no covil desses leões famintos que são essas mega corporações que estão nos empurrando para um brete sem saída. E o pior, com o aval de quem deveria nos proteger.
Quem deveria nos proteger são os representantes do setor agrícola no congresso. Criando leis, mecanismos que impeçam essas corporações de fazer o que bem entendem, de fazer com que o agricultor fique cada vez mais dependente, mais endividado, mais impotente, mais desesperado, mais sem saída.
Afinal, bancada ruralista, a quem vocês estão representando mesmo?
Grato pela atenção,
Silvio Guerini
Carta enviada para a AS-PTA - Agricultura Familiar e Agroecologia - publicada no Boletim 565, de 26 de novembro de 2011
“Finalmente, no meio de tantas derrotas, temos muito para comemorar com esta sentença favorável ao meio ambiente. Parabéns à Mira-Serra!” Edi Fonseca, ambientalista da Agapan.
Em Ação Popular impetrada pela coordenadora-presidente da Mira-Serra, ONG filiada da Apedema-RS (Assembleia Permanente de Entidades em Defesa do Meio Ambiente), bióloga Lisiane Becker, foi obtida sentença favorável contra a redução dos limites para plantio de soja e algodão transgênicos no entorno de Unidades de Conservação.
A sentença foi saudada pelas ONGs da Apedema como uma vitória. Para Eduíno de Mattos, da ONG Solidariedade, “todos os integrantes da Apedema têm que apoiar diretamente este tipo de ação, somente desta forma conseguiremos realmente um embate sério contra a “bandidagem” que impera sobre o meio ambiente, atingindo toda vida do ecossistema”.
Paulo Brack, do Ingá e membro da atual Coordenação da Apedema, manifestou-se com entusiasmo: “Uma vitória realmente! Vai dar pano para manga, e a polêmica, se ocorrer, vai ter que ser bem tratada por todos nós.” Apesar da alegria com esse momento, o biólogo ressalta que nem tudo é festa. “Por outro lado, fica a questão de que o Estado tem que garantir a fiscalização e a oferta de sementes não transgênicas, pois 99% da soja plantada no RS é GM, e o milho já beira os 65%. O quadro é bem ruim.”
Segundo o pesquisador, que tem larga experiência na área ambientalista, no ano passado muitos votaram a favor de que sementes transgênicas sejam disponibilizadas no troca-troca pelo governo e agricultores familiares. “Temos que agora exigir fiscalização e um plano para plantarem principalmente espécies nativas (frutíferas) nas bordas dos Parques. O pesquisador cita o Parque Estadual do Turvo, como um dos que está sitiado pelas monoculturas. A Agapan, através da ambientalista Edi Fonseca, declarou: “Finalmente, no meio de tantas derrotas, temos muito para comemorar com esta sentença favorável ao meio ambiente. Parabéns à Mira-Serra.”
Além de dar o reconhecimento ao advogado Ricardo Felinto pelo empenho e brilhantismo, Lisiane Becker esclarece que em 2009, a Resolução Conama 13/90 ainda não fora revogada (a que considerava os 10 Km para proteção da biota no entorno das UCs, de qualquer categoria). “Com a Ação Popular e outra Ação Civil Pública da ONG Mira-Serra, incomodamos poderosos que, após um ano de discussão no Conama, revogaram a Res. 13/90 de modo golpista.” No RS, diz a bióloga, “o previsto na Res. 13/90 foi incorporado ao nosso Código e, por isto, o “golpe” de setores interessados/ligados nos transgênicos não teve sucesso aqui.”
Clique aqui e visite o site da ONG Mira-Serra para conhecer mais detalhes sobre esse tema.
Por Apedema-RS, via Ecoagência
O Greenpeace realizou uma ação em Porto Alegre, na manhã de hoje (11), para relembrar o acidente nuclear da Usina de Fukushima e protestar contra as usinas atômicas do Brasil. A manifestação fez parte de um conjunto de ações realizadas em várias cidades. Os integrantes da Organização Não Governamental lembraram a população dos riscos referentes às usinas nucleares e colheram assinaturas para a PEC Contra Usinas Atômicas.
A tragédia em Fukushima foi provocada por terremoto seguido de uma tsunami no dia 11 de março do ano passado. Em dezembro, o governo japonês anunciou que os reatores haviam atingido o estágio de fechamento a frio, ou seja, não representariam mais perigo. No entanto, a descontaminação da área deve durar décadas.

Yoshihiko Tonohira
Durante o Fórum Social Temático, que aconteceu aqui no Rio Grande do Sul em janeiro, o monge Yoshihiko Tonohira informou que a contaminação do solo tem se transferido para os alimentos plantados na região. Através do ar e da água (oceanos e rios), a radiação continua se alastrando sem que seja possível mensurar a totalidade de locais, culturas e biodiversidade que será ainda afetada.
Leia mais:
Monge budista pede ajuda e alerta sobre os perigos das Usinas Nucleares
Site sobre a catástrofe, desenvolvido por Yuko Tonohira http://www.jfissures.org/









